Redefinindo a função desse trem

Oooo…. Quanto tempo… Eu sabia que precisava de um espaço virtual; algo em mim dizia que eu devia voltar a escrever. Beleza. Abri uma página na internet (que parece que tá dando certo. Piada velha, eu sei. E esqueci que não posso usar “blog” porque é a concorrente), mas não sei qual rumo tomar disso aqui. Não tenho nenhuma deadline, por isso relaxei. O último texto, por exemplo, foi tão estranho, como uma catarrada da minha alma que precisava ser espelida. Mas será que foi o lugar certo? Eu sei que isso é sobre mim, mas é dessa parte de mim que preciso falar? Do passado que ninguém give a shit? Pensei em falar sobre filmes, mas não sou especialista. Talvez eu esteja usando este espaço como substituição de algumas coisas que não tenho, como um buteco pra falar sobre “o céu, a terra, a arte e o mar”, um podcast pra cagar uma regra sobre séries e filmes, ou um amigo mais próximo pra comentar um livro. Aqui vou eu reclamar da aleatoridade da minha vida (ou da minha deficiência social) novamente.

Agora chego a conclusão de que não preciso de um tema pra dar pra este espaço (estou com vontade de falar “blog”, mas estou me contendo. Chega de falar “espaço” também. Agora vou chamar isto pelo nome ridículo que veio a minha cabeça meses antes de eu abrir esta página: No Resenha (ou noresenha. Isso nunca será comentado e dito em voz alta mesmo, só nas cabeças das pessoas, então é isso.). Como todo post pode ser o último, vou escrever aquilo que estou com vontade agora, no mesmo título:

Eu tuitei essa semana uma frase que não foi feita pra uma rede social. Na verdade não era pra ser uma frase, mas como estava com preguiça de elaborar melhor este pensamento, tentei resumi a ideia em 140 letras, espaços e vírgulas.

Eu disse que se as pessoas só pensassem em sexo, não haveria muitos dos nossos problemas atuais, como declaração do imposto de renda. Eu não tenho uma vida sexualmente ativa, por isso não sei o quanto isso afeta meus pensamentos sobre tal ato carnal, mas o fato de eu não ter tanto acesso a esta prática milenar ao ser-humano (e a existência viva em geral) provavelmente me faz pensar, refletir e desejar transar mais do que se eu tivesse sexo disponível. Mas não era só a sexo que me referia (sexo, sexo, sexo. Estou esticando meu vocabulário pra encontrar outra palavra “bacana”, mas não quero chamar a atenção do texto a isso, por isso fiquem com a repetição destas sílabas nas tuas cabeças até o fim do dia), também quis abranger todas as coisas que nos dão prazer, ou uma alegria, mesmo que passageira, mas acessível e disponível a todos. Porque é difícil fazer o homem pisar a lua, mas um orgasmo é fácil e mais excitante. O cara quer construir uma casa bacana, se orgulhar de seu trabalho, e pra isso ele vai incomodar um monte de gente, vai gastar dinheiro, suar, movimentar esforços pra ter o que ele quer. Mas pra que ele precisa disso?

Como pessoa ordinária e medíocre que sempre fui, eu era uma criança que queria o prazer fácil, me entreter com pouco, passar o dia inteiro brincando. Eu não queria desafios além daqueles que eu mesmo criava para superar, e como eu gosto de mim mesmo, esses desafios eram fáceis e suas conquistas não eram menos desprezadas por conta disso. Mas eu me odiava quando me entediava, e o mundo parecia acabar com as brincadeiras, aí, automaticamente, sentia a contradição enorme de não me querer envolver com grandes coisas e a inutilidade da minha vida. Eu disse com a imagem do eu criança na cabeça, mas ainda sou assim.

Não é só pelo comodismo que digo isto, mas se a preocupação do ser-humano fosse simples como o sexo, mais nada (talvez alimentação e um boa vista para o céu, o mar ou o riacho), não haveria guerras, religião, acumulo de riquezas, de pobrezas e de imposto de renda.

Eu trabalho em um escritório de contabilidade e lido todos os dias úteis (inúteis para a aventura) com a desgraçada da burocracia: uma criação típica do ser-humano, o ser burocrata, o ser que quer arranjar confusão ao invés de arranjar um par e transar. Penso o que nos trouxe aqui, a vivermos neste mundo tão medíocre, a nos preocupar com problemas que há milênios atrás não existia.

Acho que na infância da humanidade as pessoas eram felizes, até ficarem entediadas. A melhor coisa de tanta Razão (sapiens) é a Arte que podemos fazer, mas esta só existe como libertação do embaraço que veio de nós mesmos.

Chega. Já disse o que tinha que dizer. Vou me poupar do rigor, mas posso resumir tudo em outro exemplo além do sexo: cheguei em casa do escritório, sexta-feira, uma semana chata pra burro, e ao invés de assistir os filmes e as séries que pretendo, arranjei a confusão de escrever neste lugar quase abandonado.

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Um pequeno resumo

Meu nome é Sérgio Eduardo. Tenho que dizer o segundo nome porque vem do meu pai o primeiro e eu não sou ele. Tenho 22 anos, mas toda vez que mudamos de ano eu já penso que tenho um ano a mais por fazer aniversário em março. Em 2014 eu terminei o curso superior de Direito, mas não colei grau porque não fiz a monografia, não fiz estágios e odeio este curso, mas não mais do que odeio a mim mesmo por ter feito. Quando eu tinha 17 anos e estava terminando o 3° colegial eu queria fazer Letras porque a única coisa que sabia que gostava de fazer era assistir filmes e ler literatura. Como moro no Brasil e não me esforço muito pras coisas que quero, desisti fácil de tentar qualquer coisa na área de Cinema.

Tinha uma terceira opção que era Filosofia (ou Sociologia) porque quando comecei a ter essas matérias no colegial percebi como elas eram fascinantes. O colegial foi uma fase difícil porque a questão do sentido da vida estagnou-se na minha frente de tal forma que até hoje me pego alterando meu humor por causa deste tema. Assim como Newton foi (aparentemente) o primeiro a dar um nome e perceber a força que atraem todas as coisas para baixo mesmo que essa força sempre esteve presente por toda a história humana (e este sabendo que não se pode voar), a ideia de se perceber, contemplar e tentar aprender com obviedade do mundo foi algo que me deixou mais surpreso do que pensei que estaria com essas matérias. Porém levei tempo demais escrevendo sobre meu interesse em Filosofia (mesmo não querendo esconder meu interesse por tal matéria). Letras era o que queria fazer, não pela regra matemática de se encaixar letras e decorar as fórmulas gramaticais e ortográficas, mas pela literatura, pela narrativa e a obsessão humana que veio desde os primórdios de contar histórias.

Mas aí eu namorei uma garota, e tínhamos vontade de transar o que confundimos claramente com paixão e amor, (só muito depois percebi isso, talvez ela nunca tenha percebido) mas só depois do casamento, então precisávamos de dinheiro, mas não pouco dinheiro, precisávamos ser ricos, ela tinha que sentir conforto em posses, e os pais delas não queriam que ela cassasse com um “poeta” (esses caras aí que gostam de historinhas) e a ideia deles (que eram os dominadores do nosso relacionamento, se aproveitando do meu senso de covardia e submissão) de segurança para a filhinha deles era o serviço público, por isso o Direito.

Foi mal aí galera todo o rancor lá no parágrafo de cima. Isso é um outro assunto que talvez deva ser mais trabalhado em outra ocasião. Não me leve a mal, mas toda essa história é tão confusa e constrangedora que ainda não sei como lidar com isso totalmente. Mas foi assim que fiz o curso de Direito. Há também um detalhe importante, uma coisa ruim disfarçado de coisa boa, (ou talvez seja uma coisa boa um dia. Quem sabe o que é bom ou ruim? Pelo menos é bom ter otimismo) eu consegui uma bolsa integral logo no início do curso. Só paguei uma mensalidade. Com isso, pensei que ganharia as chaves do céu, estava fazendo alguma coisa por outra pessoa e ela sempre seria grata a mim por isso. Não vou negar que era (ou sou) ingênuo por pensar nisso, por não tem tanta ambição própria, mas eu já fiz muita coisa que não quis na minha vida, muitos favores, mas sempre eram coisas pequenas. Eu não me dei conta que um curso superior não poderia ser negociado como um favor.

O namoro terminou. Uma história também muito longa, chata, cansativa, que talvez não interesse a ninguém só a mim mesmo. Às vezes me pego contando isso a alguém ou a mim mesmo tentando me convencer que eu estava certo, mas na vida não existe certo ou errado. O mundo que achamos que conhecemos hoje tem uns “certos” e “errados” muito diferente do que seria no mesmo planeta se outras coisas tivessem mudado o rumo da história. Mas é muito importante você ser um herói pra você mesmo, se ter certeza das decisões que tomou ou irá tomar como se fossem as mais corretas. Sempre tentei ser muito auto-avaliativo em questões morais e acabo me arrependendo de tudo o que faço. Há poucas decisões que tomei que ao olhar pra trás eu me orgulhe ou que faria do mesmo jeito. Tinha certeza de que o namoro foi um erro, depois perdi até essa certeza de que estava errado.

Enfim. Por comodismo eu continuei a faculdade. Não tinha mais 17 anos e tomar decisões parece que me consome, tira minhas energias, e na dúvida sempre deixei do jeito que estava.  O curso acabou, fiz uns amigos, fui padrinho de casamento, dei umas risadas, passei umas raivas; tinha as emoções das provas, as disputas de notas, uns lanches no lado de fora, umas fofocas; parece que de tudo isso nada tenha sido tão importante a ponto de eu pensar “ainda bem que fiz esse curso, que conheci essas pessoas, que fui naquele casamento”. Mas só tiramos proveito das coisas se pensamos que elas são proveitosas. Eu até estava com o coração aberto pra que coisas diferentes acontecessem, mas está aí outro problema meu: acho tão mais legal as coisas acontecerem, sempre fui acostumado a isso mais do que eu fazer acontecer. Não confio em mim mesmo pra deixar o leme da minha vida nas minhas mão e querer “fazer acontecer as coisas” do meu jeito, aliás, já fiz tanta merda que não acho que eu seja digno de tanta confiança da minha parte.

Não foi tão pequeno o resumo como pensei que seria. Ainda não acabou. Quero contar do meu emprego, de um concurso que me dei bem, de filmes, de uma viagem, de uma garota e de um cara que não é tão amigo. O lance é que tenho medo, tenho muitos medos.

“Introdução” ou “me explicando”

Olá. Eu já fiz isso antes uma vez, mas faz quase uma década. Eu ia fazer uma relação de duplo sentido com o título deste primeiro texto, mas vou tentar escrever pensando no futuro, pensando na pessoa que serei daqui alguns anos e como pensaria ao ler algo tão infantil de mim mesmo. Embora tudo isso aqui tenha função de retratar meu presente, é inevitável eu pensar em tudo o que um texto pode proporcionar a partir de sua publicação.

Fique logo sabendo, meu não tão caro leitor, que isso é sobre mim e para mim e quem eu mais quero agradar é este que vos escreve. Eu me agrado com erros ortográficos e gramáticos inseridos em contextos e para tentar substituir a falta de dinamismo que tenho ao falar. Eu grito, uso tons diferentes de voz, faço gestos. Uma vez me disseram que eu estou toda hora atuando, que meus movimentos e palavras saem de um jeito que parece que sei o quanto me observam. Dei crédito a quem me disse isso e me explico afirmando que só quero prender a atenção de quem me escuta, o que demonstra uma falta de auto-confiança.

Apesar de ser sobre mim e para mim, me preocupo em agradar quem não devo nada. Quem sabe eu ganhe dinheiro, fique famoso, me sinta melhor que todo mundo só porque dão valor às minhas palavras e opiniões. Talvez nada tenha mais sentido e alegria do que ser recompensado positivamente por algo inerente à própria pessoa. Acho que tudo o que eu faço tem um objetivo intrínseco de ser admirado. Talvez fui muito paparicado quando criança. Sei lá.

Então… Gosto de filmes, músicas, livros, corpo feminino, de reclamar, xingar, correr, conversar. Mas mais de filmes. O que estiver na telha vou escrever, mas tudo sobre meu prisma (ah… jura!?). Posso falar coisas muito pessoais que não é da conta de ninguém, mas espero que compreenda isso, e se não compreender é fácil trocar de página. Me ame, mas se não puder, tente, se não conseguir, mude de página.

Ah… eu sou preguiçoso. Posso fingir que esse lugar não existe, mas dou a vocês o direito de me cobrar. Se fizerem isso, pode crer que vou levar como um elogio (às vezes substitui dinheiro).